As últimas emissões da programação da Rede Mulher foram na quarta (26). A programação, ultimamente, estava recheada de infomerciais e programas da Igreja Universal. Nesta quinta uma chamada anunciava o tempo que faltava para a estréia. De hora em hora era exibida uma grande reportagem feita por Paulo Henrique Amorim e Rodrigo Vianna, com a participação de diversos repórteres e apresentadores da emissora, e depoimentos de autoridades e personalidades, como os governadores José Serra, Aécio Neves e Sérgio Cabral Filho; o ministro Guido Mantega; o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, o presidente da CNI, Armando Monteiro Neto; o diretor teatral José Celso Martinez Corrêa; o técnico Muricy Ramalho, o goleiro Rogério Ceni, ambos do São Paulo; e artistas da Record, como Paloma Duarte.
A presença do bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, proprietário da Rede Record, era muito aguardada pelos presentes. Como Edir é sempre tratado como empresário nos noticiários e eventos da emissora, nada de “bispo”. Como disse Celso Freitas na apresentação dos convidados e ao chamá-lo para o discurso, tratava-se do “proprietário da Rede Record, senhor Edir Macedo Bezerra”.
O governador José Serra fez questão de citar no final de seu discurso a presença do presidente Lula, e disse ser um prazer estar em sua companhia. Seria uma alfinetada?
Um jornalista presente no lançamento, que transcreveu os discursos e apresentações, disse que o mais difícil para transcrever era o depoimento do presidente Lula. “Edir Macedo e Serra foram fáceis, pois falam devagar e claramente”, segundo o mesmo jornalista.
Na platéia do evento, além de políticos e personalidades, praticamente todo o elenco da Record marcou presença, desde Paulo Henrique Amorim até Ana Hickmann e Tom Cavalcante. Adriana Araújo, Marcos Hummel e Eduardo Ribeiro não puderam participar: os dois primeiros estavam ao vivo no estúdio da Record comandando o “Jornal da Record”, e Ribeiro se preparava para entrar ao vivo no “Record News Brasil”, noticiário que entrou no ar logo após a solenidade de inauguração.
Cobertura da mídia: dos principais veículos do país, quem mais falou sobre a inauguração foi a Folha Online, com direito até a (rápida) entrevista exclusiva com Edir Macedo, feita pelo jornalista Diógenes Muniz.
À Folha Online, perguntado sobre a quebra do monopólio que se referiu em seu discurso, Macedo falou: “A gente vai cutucando o fígado até cair”. Diógenes perguntou: “Mas vai cair?”. O bispo respondeu: “Você conhece luta de boxe?”. O repórter já emendou: “Não, o senhor luta?”. Neste momento, segundo o jornalista, Edir Macedo não respondeu e saiu andando.
A mesma Folha Online classificou de ‘morna’ a estréia do Record News. E o canal já perdeu um ponto para a Globo News: enquanto muitos falavam na inauguração, a Globo News mostrava a queda de um prédio no Rio, que causou a morte de duas pessoas.
No portal G1, da Globo, como era esperado, nem uma linha sobre a inauguração do canal, nem mesmo sobre a presença de Lula do evento. Mas, como já citamos, era esperado: com certeza a Record também não noticiaria o evento.
No mesmo horário da cerimônia de inauguração da Record News entraram no ar os novos portais da própria emissora e da Record, que contam agora com o “Mundo Record News” e “Mundo Record”, respectivamente, onde é possível acompanhar os vídeos da programação gratuitamente meia hora após a exibição na televisão. |